JORNAL DA RÁDIO SANTA FILOMENA
️30 de outubro de 2025
️ Edição especial – O dever cristão das famílias diante da vida e da fecundidade
Tema: O dever dos esposos diante da vida, segundo o Catecismo de São Pio X
Lucas de OliveiraCampos:
Queridos ouvintes, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Hoje, o Jornal da Rádio Santa Filomena traz uma reflexão muito necessária sobre o perigo moderno de se usar o chamado método Billings ou outros métodos naturais como desculpa para não ter filhos.
Vamos recordar o que sempre ensinou a Santa Igreja, com base no Catecismo de São Pio X e nos Papas anteriores ao Concílio Vaticano II.
✝️ 1. O matrimônio foi instituído para gerar e educar filhos
O Catecismo de São Pio X, na parte sobre o sexto mandamento, ensina claramente:
“O fim principal do matrimônio é a geração e a educação dos filhos.”
(Catecismo Maior de São Pio X, § 4)
Portanto, quando os esposos se unem em santo matrimônio, fazem-no com o dever de colaborar com Deus Criador, trazendo novas almas ao mundo e educando-as para o Céu.
Fechar-se à vida, de modo voluntário e contínuo, é contrário à vontade divina e ofende a finalidade natural e sobrenatural do matrimônio.

⚖️ 2. A Igreja permite a continência apenas por razões graves e com reta intenção
Os Papas anteriores ao Concílio Vaticano II, como Pio XI e Pio XII, admitiram que os esposos possam, por motivos realmente sérios — de saúde, ou risco grave — recorrer à continência periódica (isto é, abster-se nos dias férteis).
Mas isso só é lícito quando há razão justa e grave, jamais por comodidade, preguiça ou tribulação passageira.
Usar o “método natural” apenas para evitar filhos porque “a vida está difícil” ou “a casa está cheia de problemas” não é conforme à moral católica.
O direito canônico tradicional (antes Vaticano II) também reforça que os esposos devem estar abertos à vida e não podem frustrar o fim primário do matrimônio, que é a procriação.
⚖️ Código de Direito Canônico de 1917 (Código de São Pio X e Bento XV)
Cânon 1013 §1
“O fim primário do matrimônio é a procriação e a educação da prole; o secundário é a ajuda mútua e o remédio da concupiscência.”
(“Finis primarius matrimonii est procreatio et educatio prolis; secundarius est mutuum adiutorium et remedium concupiscentiae.”)
Cânon 1013 §2
“Por sua própria natureza, o ato do matrimônio está ordenado para a geração da prole; por conseguinte, quem o realiza de modo contrário à natureza peca gravemente.”
Em resumo:
O Código de 1917, que era o vigente em toda a Igreja Católica antes do Vaticano II, deixa claro que:
-
O fim primário do matrimônio é gerar e educar filhos;
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O fim secundário (a união e o remédio da concupiscência) nunca pode ser colocado acima da procriação;
-
E qualquer ato que frustre deliberadamente a finalidade procriativa (mesmo dentro do matrimônio) é pecado grave.
Esse cânon confirma o que ensinam o Catecismo de São Pio X e as encíclicas Casti Connubii (Pio XI) e os discursos de Pio XII:
O casal católico deve viver o matrimônio com coração aberto à vida, mesmo nas dificuldades, confiando na Providência de Deus.
O pecado mortal da contracepção
O Papa Pio XI, na encíclica Casti Connubii (1930), declarou com autoridade apostólica:
“Qualquer uso do matrimônio em que o ato seja deliberadamente frustrado na sua potência natural para gerar vida é um pecado grave contra a natureza e ofende a lei de Deus e a consciência cristã.”
Isso significa que qualquer casal que use anticoncepcional com plena consciência e consentimento comete pecado mortal — o mesmo tipo de pecado que exclui a alma da graça santificante.
O Catecismo de São Pio X, ao explicar o sexto mandamento, ensina:
“Peca gravemente quem comete ações impuras, mesmo dentro do matrimônio, se faz algo contra a natureza.”
E o que é “contra a natureza”?
É justamente impedir a função que Deus deu ao ato conjugal: gerar vida.
O erro moderno: justificar o pecado com desculpas
Hoje muitos dizem:
“Não posso ter filhos agora, estamos passando por dificuldades.”
“Tomo anticoncepcional só por um tempo, até a situação melhorar.”
Mas essas desculpas não justificam o pecado.
O sofrimento, a pobreza e as tribulações não tornam lícito o que Deus proíbe.
Pio XII ensinou em discurso às parteiras (1951):
“Nenhuma dificuldade econômica ou social pode justificar a ofensa à lei natural e divina.”
Quem usa anticoncepcional, sabendo o que faz e sem arrependimento, coloca sua alma em perigo de condenação eterna.
A gravidade do pecado e o remédio da confissão
O pecado de contracepção é mortal, porque:
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É matéria grave (ofende diretamente a lei natural e divina).
-
A pessoa tem pleno conhecimento de que é pecado.
-
A pessoa consente livremente no ato.
Quem vive dessa forma não pode comungar nem receber os sacramentos até se confessar sinceramente, abandonar o pecado e prometer não mais usar meios artificiais.

3. As “atribulações” não justificam fechar o coração à vida
A Palavra de Deus ensina:
“A mulher será salva pela geração dos filhos, se perseverar na fé, na caridade e na santificação” (1Tm 2,15).
O sofrimento, a pobreza e as dificuldades da vida nunca foram motivo para desobedecer à lei natural e divina.
Pelo contrário: os santos sempre viram nos filhos uma bênção, mesmo quando a cruz era pesada.
São Pio X, grande defensor das famílias humildes, dizia que o lar cristão é “a primeira escola de virtude, onde se aprende a amar a Deus”.
Fechar-se à vida por causa das tribulações é, no fundo, falta de confiança na Providência.
4. O exemplo dos santos esposos
Quantos santos, vivendo em pobreza ou perseguição, receberam os filhos que Deus lhes enviava!
Esses santos não escolheram o conforto, mas abraçaram o sacrifício e a confiança em Deus.
Exemplos dos santos que confiaram em Deus e não negaram a vida São Luís e Santa Zélia Martin, pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, viveram com grande pobreza e doenças na família.
Zélia, sofrendo de um câncer no seio, ainda assim dizia:
“Nós tivemos filhos para o Céu. Eles não nos pertencem, são de Deus.”
Mesmo com dores, preocupações e perdas (quatro filhos morreram pequenos), nunca recusaram a maternidade. Sabiam que a vida é dom sagrado, mesmo quando a cruz pesa.
São João Bosco, criado na pobreza extrema, dizia aos pais cristãos
“Não temais ter filhos: Deus que vos dá as bocas, dará também o pão.”
Dom Bosco via nas famílias numerosas um sinal da confiança na Providência, e ensinava que a fé deve vencer o medo.
Serro de Deus Pio de Pietrelcina também corrigia casais que se fechavam à vida. Ele dizia:
“Aqueles que temem ter filhos, por não quererem trabalhar ou sacrificar-se, esquecem que cada filho é uma bênção de Deus e um meio de santificação.”
Padre Pio era claro: negar filhos por egoísmo ou medo é falta de confiança em Deus.
Os Pais de Santa Bernadete Soubirous
François e Louise Soubirous eram pobres moleiros de Lourdes. Após perderem o sustento, chegaram a viver com os filhos em um antigo cárcere abandonado, sem aquecimento nem pão suficiente.
Mesmo assim, nunca deixaram de acolher os filhos com fé e amor, dizendo que “se Deus manda a criança, Ele mandará também o pão”.
Foi nesse lar pobre, mas cheio de fé, que nasceu Bernadete, escolhida pela Imaculada Conceição para ser mensageira do Céu.
A família Soubirous é exemplo de confiança total na Divina Providência, sem jamais buscar desculpas para evitar a vida.
Os Pais de Santa Maria Goretti
Luigi e Assunta Goretti viviam na pobreza extrema, em uma casa simples e sem recursos. Tiveram sete filhos e enfrentaram doenças, fome e trabalho pesado.
Mesmo assim, nunca pensaram em evitar filhos.
Assunta, mãe corajosa, dizia que “cada filho é uma graça de Deus, mesmo quando há lágrimas”.
E dessa pobreza fiel nasceu Santa Maria Goretti, mártir da pureza, que ofereceu sua vida por amor à lei de Deus.
A santidade de Maria é fruto de pais que confiaram plenamente na Providência, sem se deixarem guiar pelo medo ou pela lógica do mundo.

️ 5. Chamado à conversão e à confiança na Providência Divina
Queridos ouvintes, o método Billings, quando usado com má intenção, pode se tornar uma forma disfarçada de contracepção — e, portanto, pecado grave.
Deus vê o coração.
Se o casal recorre a esse método apenas para “não ter filhos” por medo das tribulações, está abusando da tolerância da Igreja e ferindo a finalidade do matrimônio.
A verdadeira continência deve ser vivida com espírito de penitência e generosidade, não como fuga da cruz.
Lembremos que a cruz das atribulações é caminho de santificação, e não justificativa para negar a vida.

6. Exortação final da Rádio Santa Filomena
Famílias católicas, confiem na Divina Providência!
Não temais ter filhos — temei, sim, fechar o coração a Deus.
Cada criança é uma alma eterna, um dom do Céu.
Nosso Senhor jamais abandona aqueles que se entregam à Sua vontade.
“Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6,33).
Palavra final da Rádio Santa Filomena
Queridos irmãos e irmãs em Cristo,
a Santa Igreja, iluminada por dois mil anos de fé e razão, nunca condenou o uso responsável da continência periódica — mas condena o abuso do método natural, quando usado como pretexto para evitar filhos por comodidade.
O Catecismo de São Pio X ensina que o fim principal do matrimônio é gerar e educar os filhos.
Quem se casa e usa o matrimônio de modo a rejeitar continuamente esse fim, mesmo com “métodos naturais”, peca contra a ordem estabelecida por Deus.
Usar o método Billings para escapar da cruz, da pobreza, do cansaço ou das atribulações da vida é desvio da moral católica.
A tribulação não é motivo para fugir do dever — é ocasião para crescer em virtude.
Nosso Senhor não prometeu conforto, mas santificação pela fidelidade.
A cruz do matrimônio, com seus filhos, trabalhos e sacrifícios, é o caminho do Céu.
E aquele que busca escapar dela, perde as graças que Deus quer conceder.
Famílias católicas, sejam generosas com Deus!
Não fechem o coração à vida, mesmo que o mundo diga o contrário.
As dificuldades passam, mas as almas dos filhos permanecem para a eternidade.
Lembrem-se: cada criança é uma vitória de Cristo sobre o egoísmo e o medo.
E um dia, no Céu, essas mesmas almas agradecerão aos pais que não fugiram da vontade divina.
✍️ Jornal da Rádio Santa Filomena
Ribeirão Preto – 30 de outubro de 2025
️ “Defendendo a fé, a vida e a doutrina de sempre.”
✒️ Escrito por Lucas de Oliveira Campos
