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Mercado de Escravos no Recife na Rua do Bom Jesus em Pernambuco
Por Ir. José de Santa Filomena (Lucas Campos)
Publicado em 08/09/2026 19:41
História Secreta do Brasil

Mercado de Escravos no Recife na Rua do Bom Jesus. Pernambuco. Pintura de Augustus Earle (1821). Museu Imperial de Petrópolis 

 

A atual Rua do Bom Jesus era a mais importante alameda do Bairro do Recife, talvez por ser, na época, a via usada por viajantes que iam ou vinham de Olinda. Suas bases foram lançadas, após a invasão holandesa, quando em 1636, o cristão novo de origem portuguesa, Duarte Saraiva, cujo nome judeu seria David Sênior Colonel, comprou o terreno onde a rua começou a ser construída. Tornou-se a rua preferida dos israelitas que lá construíram a primeira Sinagoga das Américas e passou a ser chamada de Rua dos Judeus.

 

Em um curto espaço de tempo, os membros da comunidade judaica tomaram conta do comércio de escravos que, trazidos pelos barcos da Companhia da Costa da África, eram arrematados em leilões e vendidos a prazo aos senhores de engenho. Na Rua dos Judeus funcionava um mercado de escravos, Merckt opt Jodesnstraat.

 

Após os luso-brasileiros retomarem o controle  de Pernambuco em 1654, a Rua dos Judeus teve seu nome mudado para Rua da Cruz, assim como a Porta da Terra foi rebatizada de Porta do Bom Jesus

 

A Rua continuou em destaque como epicentro de todo o comércio de escravos da Cidade.

 

Um fator importante ocorrido no Século XVIII afetou substantivamente as estatísticas do tráfico de escravos na América do Sul e no Caribe: Os empresários portugueses, sefarditas, ingleses e holandeses começaram a optar por viver nas colonias, ao invés das metrópoles comerciais, para melhor situar seus agentes e colocá-los em pontos geográficos chave.

 

No século e meio da primeira fase (1500-1640), cerca de 800.000 africanos embarcaram na “Passagem do Meio”. Durante o curso da segunda fase (1640-1700), 817.000 deixaram a África. Na fase final, entre 1700 e a abolição britânica em 1807, foram exportados 6.686.000. Isso significa que quatro em cada cinco africanos transportados para o Novo Mundo entre 1500 e 1807 foram embarcados na fase final do tráfico transatlântico.

 

Um complexo esquema de conexões demonstra claramente que os interesses comerciais dos empresários privados que viviam nas várias áreas coloniais atlânticas transcendiam as fronteiras políticas e geográficas das possessões atlânticas dos vários primeiros estados europeus modernos. Redes comerciais comumente estabelecidas abrangendo vários impérios atlânticos holandês, português, espanhol e inglês. 

 

Essas evidências coloca em questão o poder efetivo dos vários estados europeus sobre seus impérios atlânticos e a importância das fronteiras imperiais. Os dados aqui apresentados evidenciam que as fronteiras dos “clusters” atlânticos os chamados centros de poder atlânticos holandeses, portugueses e ibéricos estabelecidos pelos estados europeus e empresas estatais para apoiar seus interesses monopolistas estavam frouxos, e muitas vezes contornado por empresários privados para atingir seus próprios objetivos para o comércio atlântico"

 

Fonte do Texto: Crossing Empires: Portuguese, Sephardic, and Dutch Business Networks in the Atlantic Slave Trade, 1580-1674. Filipa Ribeiro da Silva. Cambridge University

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