A Influência da Revolução Liberal do Porto na Independência do Brasil
A Revolução Liberal do Porto foi um movimento político-militar de cunho liberal que ocorreu na cidade do Porto, em Portugal, em 1820, o movimento tinha como objetivos: O retorno da corte portuguesa a Lisboa; a formação de uma monarquia constitucional em Portugal e a restauração da exclusividade de comércio com o Brasil
O entusiasmo pelas ideias liberais, alumiado pelos maçons em todo o País, e a influência das revoltas liberais de Cádis e da Galiza, em Espanha, criaram um espírito de conspiração que se espalhou e se desenvolveu, Nos finais de 1817, no Porto, um núcleo de homens levou isto tão a peito que esse espírito correu como um nó e fez estalar, em 1820, uma revolução onde as suas ideias triunfaram.
Segundo Tobias Monteiro, a Revolução do Porto teve como causa as insatisfações provocadas pela tutela britânica de Portugal, a insistência de Dom João VI em permanecer no Brasil somaram-se ao que definiu como “ideias novas que abalavam os tronos da Europa” que, em Portugal, encontraram terreno fértil, semeado pela incapacidade de seus
governantes. Em menos de um mês, a alta nobreza portuguesa aderiu a junta revolucionária do país.
Pressionado para voltar a Portugal junto com quase toda a corte, o rei Dom João VI deixou o Brasil nas mãos de seu filho, o príncipe-regente Dom Pedro I.
Durante a invasão Napoleônica de Portugal que provocou a vinda da Corte Portuguesa para o Brasil, os lusos perderam meio milhão de habitantes, vítimas da miséria e das batalhas, além daqueles que deixaram Portugal em busca de melhores condições em outros países.
Revoltas frequentes exigiram a volta do rei a Lisboa. A Revolução Liberal do Porto, em 1820, foi decisiva.
Assim, ameaçado de perder o trono português, Dom João VI retornou a Lisboa a 24 de Junho de 1821, jurando a Constituição, que foi assinada e decretada a 23 de Setembro de 1822. Através dela, perdia todos os seus atributos do antigo absolutismo e ficava, como todos os seus concidadãos, obrigado a respeitar as leis decretadas pela Câmara dos Deputados da Nação
Os deputados portugueses queriam o retorno do Príncipe Regente Dom Pedro para Portugal, já que D. João VI já havia retornado em 1821, e defendiam a permanência do reino Unido, contudo, com o poder centralizado em Portugal em todas as esferas: legislativo, executivo e judiciário. Sendo que o Brasil seria dividido em províncias, que seriam governadas por juntas, mas todas subordinadas diretamente a Lisboa.
A estratégia dos deputados brasileiros de conseguir nas cortes portuguesas manter a união entre Brasil e Portugal não funcionou, já que os deputados portugueses ficaram irredutíveis, e alguns deputados brasileiros, em virtude de seus interesses locais, ficaram simpáticos a tese dos portugueses
A maçonaria portuguesa encabeçou o movimento organizado, e as suas posições levaram o príncipe regente D. Pedro a tomar decisões que culminaram com a proclamação da independência do Brasil
A Revolução Liberal do Porto foi um desastre para Portugal: os insultos dos deputados, a humilhação dos brasileiros nas Côrtes, a irritação de D. Pedro, os aprestos de tropa, os choques de patriotas e portuguêses, logo, com a insubmissão do principe, que não mais obedecia ao congresso, que o desafiava, o desligamento do Brasil, perdido de vez em 1822. Foi o que o constitucionalismo dos exaltados deu a Portugal: o epilogo mofino do seu laborioso reinado americano. E a miseria comum. O comercio extinto, as casas de Lisboa e Porto fechando-se, os ingleses recolhendo a herança lusitana, favorecendo a separação do Reino Unido, e a divisão da familia portuguêsa, a começar pela familia real.
Em 1823, foram dissolvidas as cortes de Lisboa, após a insurreição comandada pelo infante D. Miguel, D. João VI mandou uma missão ao Brasil com o objetivo de obter a reconciliação, uma tentativa no sentido de voltar tudo ao que era antes, isto é, de formarem os dois países de novo o Reino Unido aquela monarquia dual que o grito de Ipiranga cortara ao meio, mas foi tudo em vão.
Por influência do "Partido Brasileiro" da Cortes de Lisboa, liderados por José Bonifácio, o Príncipe Regente Dom Pedro Proclama a Independência do Brasil em São Paulo no ano de 1822, sendo reconhecido por Portugal três anos depois em 1825 depois de uma Guerra de Independência






Fonte: REVOLUÇÃO LIBERAL DO
PORTO DE 1820 NA HISTORIOGRAFIA DA INDEPENDÊNCIA. Lucas Gomes Carvalho Pinto