Autor: Lucas de Oliveira Campos
Rádio Santa Filomena
Data: 7 de julho de 2026
Introdução
Este texto foi elaborado por mim, Lucas de Oliveira Campos, da Rádio Santa Filomena, após a leitura atenta do Sermão sobre o Credo, de Santo Tomás de Aquino, especialmente de sua primeira parte, bem como após diversas releituras e reflexões sobre essa magnífica obra da teologia católica tradicional. O objetivo deste estudo é apresentar, de maneira simples e fiel à doutrina católica, o significado da expressão latina Ex Nihilo.
Não utilizou uma matéria eterna para formar o universo. Antes de Deus criar, nada existia além do próprio Deus, que é eterno, infinito e sem princípio.
Assim, Deus, por um simples ato de Sua vontade onipotente, chamou todas as criaturas à existência. Tudo o que existe recebeu o ser porque Deus assim o quis.
Criar é um poder exclusivo de Deus. Os homens podem construir, transformar, fabricar e modificar aquilo que já existe; porém somente Deus pode produzir o ser onde antes não havia absolutamente nada.
A profissão de fé
Logo no início do Credo, aprendemos que Deus é o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Esta verdade é o fundamento de toda a fé cristã.
Se Deus é o Criador de tudo, então toda criatura depende continuamente d'Ele para existir. Nada subsiste por si mesmo. Toda a criação manifesta a sabedoria, o poder e a bondade do Criador.
A grandeza do Criador
O universo inteiro proclama a glória de Deus. Os anjos, os homens, os animais, as estrelas e toda a natureza existem porque Deus lhes concedeu o ser.
A criação "do nada" demonstra a infinita distância entre Deus e Suas criaturas. Deus não depende de ninguém; ao contrário, tudo depende d'Ele.
Como ensina a tradição católica, Deus é o Ser por essência, enquanto todas as criaturas possuem o ser apenas por participação.
A fé católica começa por uma das mais sublimes verdades reveladas por Deus: "Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra." Esta profissão de fé, ensinada no Credo e explicada por Santo Tomás de Aquino em seu Sermão sobre o Credo, recorda-nos que Deus é o princípio absoluto de toda a criação.
A expressão latina Ex Nihilo significa "do nada". A Igreja ensina que Deus não encontrou uma matéria eterna para organizar o universo, nem necessitou de qualquer auxílio para criar. Antes da criação existia somente Deus, eterno, infinito e perfeitíssimo. Por Sua vontade onipotente, todas as coisas passaram a existir.
Esta verdade distingue profundamente o Criador de Suas criaturas. O homem pode fabricar, transformar ou aperfeiçoar aquilo que já existe, mas somente Deus possui o poder de chamar o ser à existência onde antes não havia absolutamente nada. Criar é uma obra exclusiva da onipotência divina.
Logo nas primeiras explicações do Sermão sobre o Credo, Santo Tomás mostra que a profissão de fé no Deus Criador é o fundamento de toda a vida cristã. Se Deus é o Criador de todas as coisas, segue-se que tudo depende continuamente d'Ele para existir.
Nenhuma criatura possui em si mesma a razão de sua existência; tudo é sustentado pela Providência divina.
As Sagradas Escrituras confirmam essa verdade desde suas primeiras palavras: "No princípio criou Deus o céu e a terra" (Gn 1,1). Ao longo do relato da criação, Deus manifesta Seu poder ao criar por Sua Palavra: "Disse Deus: Faça-se...", e assim tudo passou a existir segundo Sua vontade.
Também a tradição da Igreja ensina que Deus é o único Ser que existe por Si mesmo. Todas as demais criaturas recebem o ser d'Ele e permanecem dependentes de Sua ação criadora. Essa doutrina conduz o cristão à humildade, pois reconhecemos que nossa vida, nossa alma, nossos talentos e cada instante de nossa existência são dons recebidos do Criador.
Contemplar a criação é contemplar um reflexo da sabedoria, da bondade e da onipotência de Deus. O céu estrelado, a ordem da natureza, a inteligência humana e a beleza do universo proclamam silenciosamente a glória daquele que criou todas as coisas Ex Nihilo.
Que esta verdade fortaleça nossa fé, aumente nossa confiança na Providência Divina e nos conduza a adorar com maior fervor Aquele que é o princípio e o fim de todas as coisas.
"Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra."
"Porque d'Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele seja dada a glória pelos séculos. Amém." (Rm 11,36).
A Refutação do Ateísmo à Luz de Santo Tomás de Aquino
O ateísmo afirma que Deus não existe ou que Sua existência não pode ser conhecida. Contudo, a filosofia cristã clássica, especialmente a desenvolvida por Santo Tomás de Aquino, sustenta que a razão humana é capaz de reconhecer a existência de Deus ao contemplar a realidade.
Santo Tomás ensina que nem tudo pode explicar a si mesmo. Aquilo que muda, aquilo que começa a existir e aquilo que depende de outra coisa para existir aponta para uma causa que não dependa de outra. Se tudo dependesse de outra coisa sem um fundamento último, não haveria explicação suficiente para a existência de qualquer realidade.
O universo revela movimento, ordem, causalidade e contingência. Esses aspectos não demonstram, por si sós, todos os atributos de Deus, mas servem como ponto de partida para concluir que existe um Primeiro Princípio, um Primeiro Motor imóvel, uma Causa Primeira, um Ser necessário que existe por Si mesmo. Esse é o caminho filosófico desenvolvido por Santo Tomás em suas conhecidas "Cinco Vias".
Outro ponto importante é a contingência. Tudo aquilo que vemos poderia não existir. Os seres nascem e morrem, surgem e desaparecem. Se tudo fosse apenas contingente, seria concebível que em algum momento nada existisse. Mas do nada absoluto nada pode surgir por si mesmo. Portanto, para que existam seres contingentes, deve existir um Ser necessário que não recebeu o ser de outro e que seja fundamento da existência de tudo.
Também a ordem da natureza merece consideração. O universo manifesta leis constantes, regularidade e inteligibilidade. A tradição tomista argumenta que a ordenação de seres que não possuem inteligência própria para determinados fins aponta para uma Inteligência ordenadora. Esse raciocínio não identifica automaticamente cada detalhe do universo com uma intenção específica, mas procura explicar por que existe uma ordem estável e compreensível.
Além disso, o próprio conhecimento humano pressupõe que a realidade seja inteligível. A capacidade da razão de descobrir verdades sobre o mundo é compatível com a ideia de que a criação procede de uma Inteligência suprema.
A fé cristã não considera a razão uma inimiga. Pelo contrário, Santo Tomás afirma que a graça aperfeiçoa a natureza. A investigação racional pode conduzir o homem ao reconhecimento da existência de Deus, enquanto a Revelação manifesta mistérios que a razão, sozinha, não alcançaria plenamente, como a Santíssima Trindade e a Encarnação do Verbo.
A doutrina católica também distingue claramente filosofia e fé. A existência de Deus pode ser investigada filosoficamente, enquanto a identidade de Deus como Pai, Filho e Espírito Santo é conhecida pela Revelação divina.
Por isso, segundo a tradição tomista, o debate sobre Deus não se reduz a uma escolha subjetiva entre acreditar ou não acreditar. Ele envolve questões filosóficas sobre causalidade, contingência, ordem e fundamento da realidade. Esses argumentos têm sido discutidos e avaliados ao longo de séculos, e continuam presentes na filosofia contemporânea.
Que o estudo sincero da verdade conduza todos os homens à contemplação daquele que é o Ser por essência, a Causa Primeira de todas as coisas e o Criador do céu e da terra.
O Santo Credo é o resumo mais perfeito da fé cristã. Em seu Sermão sobre o Credo, Santo Tomás de Aquino mostra que cada artigo do Credo foi formulado para professar a verdade revelada e, ao mesmo tempo, refutar os principais erros que surgiram contra a fé da Igreja.
Ao professarmos: "Creio em Deus Pai Todo-Poderoso", afirmamos que existe um único Deus verdadeiro, eterno, incriado, onipotente e Criador de todas as coisas. Mas o Credo não se limita a ensinar que Deus existe. Ele conduz o fiel ao mistério da Santíssima Trindade: um só Deus em três Pessoas realmente distintas — Pai, Filho e Espírito Santo — iguais em natureza, glória, majestade e eternidade.
Contra Fotino
Entre as heresias combatidas pela Igreja encontra-se a de Fotino de Sirmio. Ele sustentava que Cristo seria apenas um homem extraordinário, adotado por Deus, negando Sua divindade eterna.
Essa doutrina contradiz o ensinamento apostólico. O Filho não começou a existir em Belém. Antes de todos os séculos, Ele já existia junto do Pai, possuindo a mesma natureza divina. Quando o Credo proclama que o Filho é gerado e não criado, confessa precisamente essa verdade: o Verbo é eterno e consubstancial ao Pai.
Contra Marcelo de Ancira
Também foi rejeitado o erro de Marcelo de Ancira, cuja compreensão sobre a distinção das Pessoas divinas foi considerada inadequada pela tradição da Igreja. A fé católica ensina que Pai, Filho e Espírito Santo não são apenas modos temporários de manifestação de Deus, mas Pessoas realmente distintas, permanecendo, contudo, um único Deus.
Assim, o Pai não é o Filho; o Filho não é o Espírito Santo; o Espírito Santo não é o Pai. Entretanto, nenhum deles é maior ou menor que o outro, porque possuem uma única natureza divina.
Contra Ário
A heresia de Ário afirmava que o Filho era a primeira criatura de Deus, superior às demais, mas não verdadeiro Deus.
Essa doutrina foi solenemente rejeitada pela Igreja. O Primeiro Concílio de Niceia confessou que o Filho é consubstancial ao Pai (homoousios), isto é, possui exatamente a mesma natureza divina.
Por isso, o Evangelho proclama:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." (Jo 1,1)
Se o Verbo era Deus desde o princípio, não pode ser criatura.
A unidade da essência divina
Santo Tomás ensina que Deus é absolutamente simples. Não existem três deuses, mas um único Deus. A distinção entre as Pessoas não divide a essência divina.
O Pai comunica eternamente ao Filho toda a natureza divina por geração eterna. O Espírito Santo procede eternamente do Pai e do Filho como Amor subsistente, segundo a doutrina professada pela Igreja latina. Essas relações de origem distinguem as Pessoas sem dividir a única divindade.
A fé da Igreja
O mistério da Santíssima Trindade ultrapassa a plena compreensão da razão humana, mas não a contradiz. A razão pode mostrar que a fé não é irracional, enquanto a Revelação manifesta esse mistério de maneira definitiva.
Por isso, a Igreja sempre conservou com fidelidade a profissão de fé do Credo, transmitida pelos Apóstolos e esclarecida pelos Concílios Ecumênicos contra as heresias.
Quem confessa o Credo professa um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Essa é a fé católica, preservada ao longo dos séculos e resumida de forma admirável por Santo Tomás de Aquino em sua exposição do Credo.
Que todos os fiéis permaneçam firmes na profissão da verdadeira fé, adorando a Santíssima Trindade, um só Deus em três Pessoas, a quem pertencem toda honra, glória e adoração pelos séculos dos séculos. Amém.
Deus abençoe!