Offline
O INFERNO EXISTE — E TALVEZ VOCÊ NÃO TENHA AMANHÃ
Por Ir. José de Santa Filomena (Lucas Campos)
Publicado em 14/10/2026 07:44 • Atualizado 14/10/2026 07:52
Doutrina Católica

O INFERNO EXISTE — E TALVEZ VOCÊ NÃO TENHA AMANHÃ

“Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.”

 

Radio Santa Filomena Quarta Feira 14/10/2026, Ribeirão Preto SP

Há verdades que consolam.

Há verdades que fortalecem.

E há verdades que precisam assustar o pecador para arrancá-lo do pecado antes que seja tarde demais.

São Leonardo de Porto Maurício, no célebre sermão “O Pequeno Número dos que se Salvam”, não fala como quem deseja levar uma alma ao desespero.

Ele fala como um homem que vê alguém dormindo dentro de uma casa em chamas.

E por isso grita.

ACORDA!

Você vai morrer.

Eu vou morrer.

Todos aqueles que hoje caminham pelas ruas, trabalham, riem, fazem planos, compram casas, brigam por dinheiro, buscam prazeres e imaginam possuir muitos anos pela frente um dia estarão diante do Tribunal de Deus.

E naquele momento não importará quanto dinheiro tivemos.

Não importará nossa aparência.

Não importará quantas pessoas nos admiravam.

Não importará quantos seguidores possuíamos.

Não importará o que o mundo pensava de nós.

Restará apenas uma pergunta:

EM QUE ESTADO ESTAVA A MINHA ALMA QUANDO DEIXEI ESTE MUNDO?


UM RELATO TERRÍVEL RECORDADO POR SÃO LEONARDO

São Leonardo reproduz em seu sermão um relato atribuído a São Vicente Ferrer.

Conta-se que um arquidiácono de Lião abandonou suas funções e retirou-se para fazer penitência.

Ele morreu no mesmo dia e hora de São Bernardo.

Segundo a narrativa transmitida pelo santo pregador, depois de morrer esse homem teria aparecido ao seu bispo e contado algo aterrador:

Naquela mesma hora, dezenas de milhares de pessoas haviam morrido.

São Bernardo e ele teriam ido diretamente para o Céu.

Algumas poucas almas teriam ido ao Purgatório.

E uma multidão imensa teria se perdido.

São Leonardo não conta isso para satisfazer curiosidade sobre números.

Ele quer produzir uma pergunta:

E SE HOJE FOSSE A MINHA VEZ?

Se hoje milhares morressem ao redor do mundo e eu estivesse entre eles...

Onde estaria minha alma?

No Céu?

No Purgatório?

Ou no inferno?


OUTRO RELATO AINDA MAIS ASSUSTADOR

São Leonardo apresenta depois outra narrativa conservada nas crônicas religiosas utilizadas em seu sermão.

Um religioso pregava na Alemanha sobre a gravidade do pecado da impureza.

Pregava com tamanha força sobre a fealdade do pecado que, segundo o relato, uma mulher que o escutava caiu como morta.

Depois, tendo voltado a si, teria contado que fora apresentada diante do Tribunal de Deus.

Ela disse ter visto uma multidão de almas que haviam morrido aproximadamente naquele mesmo momento.

E, segundo aquela narrativa, apenas pouquíssimas teriam alcançado a salvação, passando pela purificação do Purgatório.

A grande multidão teria sido condenada.

Então São Leonardo lança praticamente um grito aos seus ouvintes:

PECADORES, ENTRE QUAIS ESTAREIS VÓS?

Pare por alguns segundos.

Não passe rapidamente por esta pergunta.

Leia novamente:

SE EU MORRESSE HOJE, ENTRE QUAIS ESTARIA EU?


VOCÊ SABE QUE VAI MORRER. MAS VIVE COMO SE NÃO FOSSE MORRER.

Este é um dos maiores enganos do homem.

Sabemos perfeitamente que a morte existe.

Vemos enterros.

Recebemos notícias de acidentes.

Vemos pessoas jovens morrerem.

Vemos crianças morrerem.

Vemos idosos morrerem.

Vemos alguém dormir e não acordar.

Vemos pessoas saírem de casa pela manhã sem saber que nunca mais voltarão.

E apesar disso fazemos planos como se tivéssemos recebido de Deus um contrato garantindo mais quarenta anos de vida.

Você sabe quanto tempo ainda lhe resta?

Não.

Pode ser cinquenta anos.

Pode ser dez.

Pode ser um.

Pode ser um mês.

Pode ser uma hora.

A morte não pergunta:

“Terminou seus negócios?”

“Já pediu perdão?”

“Já abandonou sua amante?”

“Já largou a pornografia?”

“Já devolveu aquilo que roubou?”

“Já fez uma boa confissão?”

“Já voltou para Deus?”

“Já perdoou seu inimigo?”

A morte chega.

E quando ela chega, termina o tempo de merecer.

Começa a eternidade.


E O QUE É A ETERNIDADE?

Tente imaginar mil anos.

Depois dez mil.

Depois cem mil.

Depois um milhão de anos.

Depois bilhões.

Imagine que, depois de bilhões e bilhões de anos, alguém pudesse perguntar a um condenado:

“Quanto falta para terminar sua pena?”

A resposta seria:

NADA DIMINUIU.

Porque a eternidade não possui fim.

O inferno não é uma prisão da qual se sai depois de cumprir pena.

Não existe liberdade condicional.

Não existe segunda existência.

Não existe uma nova encarnação.

Não existe uma última confissão depois da morte.

Não existe:

“Agora eu me arrependo.”

O condenado poderá desejar durante toda a eternidade ter vivido de outra maneira.

Mas o tempo de escolher terminou.

É por isso que uma hora de pecado pode ter consequências eternas.


“MAS DEUS É MISERICORDIOSO.”

Sim.

Infinitamente misericordioso.

E justamente porque é misericordioso Ele está lhe concedendo este momento.

Deus deu-lhe consciência.

Deu-lhe avisos.

Deu-lhe oportunidades.

Deu-lhe graças.

Deu-lhe a possibilidade de arrepender-se.

Deu-lhe Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado.

Deu-lhe os sacramentos.

Deu-lhe a confissão.

Quantas vezes sua consciência já lhe disse:

“Pare.”

Quantas vezes você soube que aquela relação era pecado?

Quantas vezes soube que precisava romper uma ocasião próxima de pecado?

Quantas vezes percebeu que precisava confessar algo?

Quantas vezes Deus o chamou?

E você respondeu:

“Depois.”

Esse “depois” é perigosíssimo.

Muitas almas não precisaram decidir:

“Eu quero ir para o inferno.”

Bastou dizer:

“Ainda não quero mudar.”


O DEMÔNIO NÃO PRECISA FAZER VOCÊ NEGAR DEUS

Ele só precisa fazer você adiar sua conversão.

Hoje:

“Estou cansado.”

Amanhã:

“Não tenho tempo.”

Depois:

“Quando minha vida estiver mais tranquila.”

Outro dia:

“Na Quaresma eu mudo.”

Depois:

“Quando ficar mais velho.”

Então chega a doença.

Chega o acidente.

Chega o infarto.

Chega a última noite.

E talvez aquilo que você imaginou poder fazer durante décadas tenha de ser feito em poucos minutos.

São Leonardo adverte duramente contra a esperança de uma conversão improvisada no leito de morte.

Quem passou anos alimentando um vício dificilmente o destrói por completo em alguns minutos.

Quem passou anos fugindo de Deus não deve presumir que terá uma morte perfeitamente preparada.

Por isso a Escritura diz:

HOJE.

Não amanhã.

Hoje.


AS CONFISSÕES MAL FEITAS

São Leonardo também faz uma advertência terrível sobre a confissão.

Ele fala daqueles que confessam os pecados, mas não pretendem abandonar aquilo que os conduz novamente ao pecado.

Da pessoa que confessa impureza, mas conserva voluntariamente a ocasião que a faz cair.

Daquela que confessa injustiça, mas não deseja reparar o dano causado.

Daquela que repete promessas de mudança sem uma resolução verdadeira.

Daquela que esconde pecados graves por vergonha.

Daquela que procura a confissão somente para silenciar temporariamente a consciência.

Confessar não é simplesmente recitar uma lista.

É preciso arrependimento.

Propósito de emenda.

Desejo verdadeiro de abandonar o pecado.

E, quando necessário, reparação.

Quantas pessoas dizem:

“Eu sou católico.”

Mas vivem como se Deus não existisse?

Quantas recebem sacramentos, mas não querem abandonar sua vida de pecado?

Quantas querem Jesus como Salvador, mas rejeitam Jesus como Rei?


A IMPUREZA ARRASTA MULTIDÕES

Pornografia.

Adultério.

Fornicação.

Conversas obscenas.

Olhares voluntariamente impuros.

Relações desordenadas.

Escândalo.

Imodéstia deliberadamente provocativa.

Tudo isso hoje é apresentado como normal.

O mundo ri.

A televisão ri.

As redes sociais riem.

Os amigos riem.

Mas diante do Tribunal de Deus ninguém rirá.

O mundo diz:

“Todo mundo faz.”

Desde quando a multidão é medida da verdade?

Se uma multidão caminha para um precipício, você se lançará atrás dela?

Nosso Senhor não disse:

“Sigam a multidão.”

Disse:

ENTRAI PELA PORTA ESTREITA.


O INFERNO NÃO É SOMENTE FOGO

A maior pena do condenado é ter perdido Deus.

Para sempre.

Pensar:

“Eu poderia ter sido salvo.”

“Deus me chamou.”

“Eu tive oportunidades.”

“Eu tive tempo.”

“Eu fui advertido.”

“Eu poderia ter confessado.”

“Eu poderia ter abandonado aquele pecado.”

“Eu poderia ter reparado aquela injustiça.”

“Eu poderia ter perdoado.”

“Eu poderia ter mudado.”

“MAS EU NÃO QUIS.”

Imagine carregar esse pensamento não durante cem anos.

Nem mil.

Nem um milhão.

Mas para sempre.


SÃO LEONARDO DEFENDE A BONDADE DE DEUS

É importante compreender uma coisa.

São Leonardo não ensina que Deus cria almas para condená-las.

Pelo contrário.

Ele insiste que Deus oferece graças e meios para a salvação.

A perdição não deve ser atribuída a uma crueldade divina.

O pecador recebe luzes.

Recebe remorsos.

Recebe chamadas interiores.

Recebe oportunidades.

Deus oferece socorro.

 

E São Leonardo coloca diante do pecador esta terrível verdade:

“Tua perdição vem de ti.”

Não culpe Deus pela corrente que você mesmo se recusa a quebrar.

Não culpe Deus pelo pecado que você se recusa a abandonar.

Não culpe Deus se você rejeita continuamente a graça.

Cristo derramou Seu Sangue.

Cristo abriu Seus braços na Cruz.

Cristo chamou.

Cristo perdoou.

Cristo advertiu.

Cristo ofereceu misericórdia.

O que mais esperamos?


NÃO É PRECISO SER UM ASSASSINO PARA SE PERDER

Talvez alguém leia isso e pense:

“Não sou uma pessoa tão ruim.”

Essa comparação é perigosíssima.

A pergunta não é:

“Sou pior que meu vizinho?”

A pergunta é:

“Estou na graça de Deus?”

Talvez você não mate.

Mas guarda ódio.

Talvez não roube um banco.

Mas engana.

Talvez não abandone publicamente a religião.

Mas vive deliberadamente contra os mandamentos.

Talvez seja respeitado pelas pessoas.

Mas Deus conhece os pensamentos escondidos.

Deus conhece aquilo que ninguém vê.

As mensagens apagadas.

Os sites visitados escondido.

As infidelidades.

As mentiras.

As vinganças.

As blasfêmias.

Os pecados ocultos.

Diante de Deus não existe segredo.


“MAS AINDA SOU JOVEM.”

E desde quando os cemitérios são ocupados somente por idosos?

Entre hoje e amanhã morrerão jovens.

Morrerão pais.

Morrerão mães.

Morrerão homens fortes.

Morrerão pessoas que ontem planejavam o mês seguinte.

Talvez alguém morra enquanto você lê este texto.

Um coração parará.

Um carro baterá.

Uma pessoa dormirá e não despertará.

Por que você presume que sua vida continuará?

Você recebeu alguma revelação de que estará vivo amanhã?

Não.


SE ESTE TEXTO INCOMODA VOCÊ, USE O INCÔMODO PARA SE CONVERTER

Não diga:

“Que texto pesado.”

O inferno é mais pesado.

Não diga:

“Isso dá medo.”

Talvez você precise desse medo.

Há um medo que paralisa.

Mas existe um temor santo que salva uma pessoa de caminhar até o precipício.

Se uma criança corre em direção a um poço e sua mãe grita:

“PARE!”

 

A mãe não odeia a criança.

Justamente porque ama, grita.

Assim fizeram os santos pregadores.

Eles não transformavam o pecado numa brincadeira.

Porque acreditavam verdadeiramente na eternidade.


O QUE FAZER, ENTÃO?

Se você está em pecado mortal:

CONVERTA-SE.

Não daqui a um mês.

Não depois daquela festa.

Não depois daquele último encontro.

Não depois daquele último pecado.

Agora.

Procure um sacerdote fiel.

Faça exame de consciência.

Faça uma confissão inteira e sincera.

Não esconda deliberadamente pecado mortal por vergonha.

Abandone as ocasiões próximas de pecado.

Apague aquilo que precisa ser apagado.

Termine aquilo que precisa ser terminado.

Devolva aquilo que deve ser devolvido.

Repare aquilo que deve ser reparado.

Perdoe.

Peça perdão.

Reze.

Faça penitência.

Volte para Deus.

E depois:

PERSEVERE.

Porque não basta começar.

É preciso morrer fiel.


IMAGINE A SUA ÚLTIMA HORA

Seu quarto silencioso.

Sua família ao redor.

Sua respiração ficando mais curta.

Tudo aquilo que você acumulou ficando para trás.

Sua casa ficará.

Seu dinheiro ficará.

Seu celular ficará.

Suas roupas ficarão.

Seu carro ficará.

Seus documentos ficarão.

Seu corpo ficará.

E sua alma seguirá sozinha.

Naquela hora, quanto você daria para voltar a este exato dia?

Quanto daria para ter mais uma oportunidade de se confessar?

Quanto daria para apagar um pecado mortal?

Quanto daria para poder dizer:

“Senhor, eu vou mudar.”

Talvez você desejasse apenas cinco minutos.

E Deus está lhe dando muito mais que cinco minutos agora.

USE-OS.


UMA PERGUNTA PARA TERMINAR

São Leonardo apresenta uma comparação impressionante.

Imagine que um anjo anunciasse que, entre milhares de pessoas, apenas uma seria salva.

O que você faria?

Certamente tentaria ser aquela uma.

Agora imagine o contrário.

Que todos seriam salvos, menos uma pessoa.

Você continuaria vivendo deliberadamente no pecado?

Não deveria pensar:

“E se eu for aquela uma?”

Portanto, discutir se são muitos ou poucos os salvos não é o principal.

O essencial é isto:

VOCÊ ESTÁ VIVENDO COMO QUEM QUER SER SALVO?


⚰️ Um dia escreverão sua data de nascimento.

Depois um traço.

Depois a data da sua morte.

Toda a sua vida terrestre estará resumida naquele pequeno traço.

Mas depois do segundo número começará algo que não terá outra data:

A ETERNIDADE.

Por isso:

Se precisa confessar, confesse.

Se precisa abandonar um pecado, abandone.

Se precisa reparar um mal, repare.

Se precisa perdoar, perdoe.

Se precisa retornar a Deus, retorne.

Não brinque com sua alma.

Não negocie sua eternidade por alguns minutos de prazer.

Não troque Deus por uma criatura.

Não espere o último suspiro para começar a desejar o Céu.

VIVA HOJE DE TAL MANEIRA QUE, SE MORRER ESTA NOITE, NÃO PRECISE DESEJAR TER VIVIDO DIFERENTE.

O INFERNO É ETERNO.

✝️ O CÉU TAMBÉM.

E enquanto você está vivo, a porta da conversão ainda está aberta.

ENTRE ENQUANTO HÁ TEMPO.

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?”

Nossa Senhora, Refúgio dos Pecadores, rogai por nós.

São José, patrono da boa morte, rogai por nós.

São Leonardo de Porto Maurício, rogai por nós.

Jesus, tende misericórdia de nós e concedei-nos a graça da perseverança final. Amém.

Texto inspirado no sermão “O Pequeno Número dos que se Salvam”, de São Leonardo de Porto Maurício. Os episódios extraordinários mencionados acima são relatos espirituais transmitidos no próprio sermão e devem ser entendidos como tais; a obrigação de conversão, penitência, vigilância e perseverança não depende da historicidade de cada revelação particular.

Comentários

Chat Online